Wednesday, September 06, 2006

Fichamento I

“Conhecimento: Científico e Cotidiano”

  • “A ciência não está amparada na verdade religiosa nem na verdade filosófica [...]”
    Ex.: Tonsilas (amídalas) e Apêndice Vermiforme (apendicite)
  • “[...] pessoas sem baço e sem tonsilas apresentavam resistência imunológica comprometida em alguns casos.”
  • “[...] a experimentação e a base lógica da ciência não lhe garantem a possibilidade de produzir conhecimentos inquestionáveis e válidos eternamente.”
  • Produção de conhecimento sem a base lógica e experimental da ciência
  • Sobrevivência nem sempre Científica
  • Exemplos de Conhecimentos Cotidianos:
    1) “Há algum fundo de verdade na afirmação de que comer manga e leite faz mal?”
    2) “Será que é verdade que esse tipo de mandioca crua é venenosa?”
    a. “[...]os índios conseguiram estabelecer uma série de verdades sobre a mandioca, seu caráter venenoso por exemplo, e conseguiram ainda propor métodos para eliminar a toxicidade da planta através do processamento de suas raízes.
  • Funcionam em condições específicas.
  • “[...] não se pode dizer que entre o conhecimento cotidiano e científico exista contradição, ou mesmo que um seja correto e o outro errado [...]”
  • “A própria designação do conhecimento cotidiano como “senso comum” é, em si, questionável, uma vez que existe uma certa conotação depreciativa na expressão.”
  • “[...] a [...] escola [...] deve [...] proporcionar acesso a outras formas de conhecimento que, muitas vezes, constituem explicações alternativas [...] às crenças da coletividade.”
  • “[...] a tarefa de estabelecer a distinção entre conhecimento cotidiano e conhecimento científico não é fácil, pois isso deve ser feito sem desfazer o amálgama social representado pelas crenças de um povo.”
  • Especificidades do conhecimento cotidiano e do conhecimento científico
  • “Os alunos têm fácil acesso àquilo que denominamos “conhecimento cotidiano” e não deixaram de tê-lo ao ingressarem na escola.”
  • Obrigação da Escola: Proporcionar o acesso a outras formas de conhecimento, como o artístico, cultural e científico.
  • O conhecimento científico apresenta especificidades evidenciadas pelo contraste com o conhecimento cotidiano em cinco características principais.
  • Contradições
  • “O conhecimento científico não convive pacificamente com as contradições.” – Hipóteses Rivais – o objetivo de uma é destruir a outra.
  • “O conhecimento cotidiano, por outro lado, é muito permissivo com as contradições, chegando mesmo a ser sincrético.” – Admitindo como válidas diferentes fontes de informação, como religião, cultura e até mesmo a ciência, o que geralmente conduz a situações contraditórias.
  • “O conhecimento cotidiano procura, muito mais, interações entre as partes conflitantes, procurando compatibilizá-las.
  • Terminologia
  • “[...] são criados termos que sintetizam idéias complexas, conhecidas por aqueles que dominam aquele ramo da ciência.”
  • “A terminologia científica não deveria ser vista simplesmente como uma maneira diferente de nomear fenômenos, por duas razões.”
  • “[...] trata-se de um código de compactação e não de um código criptográfico.”
  • Código de compactação: tenta juntar informação agregando significados.
  • Código Criptográfico: procura esconder significados.
  • “O conhecimento cotidiano é mais flexível com relação aos termos que utiliza.” – Variações Regionais e Superposição de significados.
  • Independência de Contexto
  • “O conhecimento científico busca afirmações generalizáveis, que possam ser aplicadas a diferentes situações.”- Preferência pelo abstrato e pelo simbólico.
  • “O conhecimento cotidiano, por outro lado, está fortemente apegado aos contextos nos quais é produzido.” – Preferência pelo concreto e o real.
  • “As folhas de mandioca, por exemplo, são descartadas como fonte de alimento, pelo saber cotidiano, mas a ciência garante que são excelente alimento, tomadas às mesmas precauções daquelas em relação às raízes.” – Maniçoba.
  • Interdependência Conceitual
  • Conhecimento Científico = Castelo de cartas: não em referência a sua solidez, mas sim pela interdependência entre suas diversas partes.
  • “O fato de o método funcionar num determinado contexto não permite aplicar as mesmas idéias em situações diferentes.
  • Socialização
  • “Existe uma marcante diferença entre a maneira pela qual a maioria das pessoas trava contato com os conhecimentos científicos.” – Também é uma questão de Oportunidade.
  • “Desde os primeiros meses de vida, as crianças já têm acesso ao conhecimento cotidiano.”
  • Adolescência: Hora certa para um ensino de ciências bem-sucedido.
  • Constatação: Existe uma acentuada diferença na socialização dos conhecimentos. O cotidiano é precoce e o científico é tardio.

CONCLUSÃO: “[...] uma aproximação dos conceitos científicos, tarefa própria da escola, não pode ser feita apenas levando-se em conta as características próprias do conhecimento, mas deve também levar em consideração as características dos alunos, sua capacidade de raciocínio, seus conhecimentos prévios, etc.”

1 Comments:

At 5:14 PM, Blogger Cláudia said...

Só uma ressalva: a folha da mandioca não é descartada, pelo contário, é utilizada como fonte de alimento para o gado, porco, por exemplo,, e sem contar que também é utilizada na culinária humana. Utiliza-se procedimentos parecidos com a raiz, para eliminar tóxinas existentes.Tem-se conhecimento das propriedades das folhas. E o saber popular ou
cotidiano, desfruta de uma sabedoria misteriosa, pois não chegou a conhecimentos específicos, sistematizados com anos de estudos (e muitas vezes só reproduzindo algo que foi achado por outros). Sendo assim essa população é magnanima. Ensina muito, sem precisar ler, nem escrever... Cláudia Esquivel ( professora de Ciência Naturais)

 

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